Sem julgamentos a quem opta por esse tipo de previdência, porque ela também assegura fonte de renda futura, o que indigna é o fato de utilizarem-se de dados falsos para enganar as pessoas.
A Previdência Social não está falindo, há sim dinheiro nos cofres públicos da seguridade social. A reforma da Previdência é enganosa, falaciosa e não há números que a sustentem.
Dizem que uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade e é exatamente o que se observa no que diz respeito a Reforma da Previdência proposta pelo governo. Alguns (e grandes) órgãos midiáticos compraram a ideia dessa proposta e estão divulgando como verdade absoluta, que realmente há um déficit social na questão da Previdência, que ela está falindo e que se não houver uma reforma o país não conseguirá recuperar sua economia.
A grande verdade dessa história é que a reforma é uma das bases de sustentação do atual governo, isso está cada vez mais claro. Em um Decreto publicado recentemente, a atual administração do país retira do orçamento fiscal, juntamente com o orçamento da seguridade social, R$ 606 bilhões. E, para não se ser capcioso, é importante dizer que esses R$ 606 bilhões não são apenas da seguridade social, como também do orçamento fiscal da União.
Para poder explicar e diferenciar: somente neste ano de 2019, estão sendo retirados da seguridade social R$ 115 bilhões. É pouco? São R$ 115 bilhões de reais que o governo desvincula dos recursos da União.
Antigamente, desvinculava-se 20% da Seguridade Social. Ou seja, se a Seguridade Social tivesse um superávit de R$ 100 bilhões, R$ 20 bilhões eram desvinculados. Quando o PMDB assumiu, hoje MDB, em 2016, esse número aumentou para 30%.
A grande questão neste caso é: seria possível desvincular algum recurso de um cofre que, segundo informações, está com déficit?
Ao meu ver, é aí que a sustentabilidade da falência do regime social entra em contradição. Como sustentar que a Previdência está falindo se todo ano desvinculam-se 30% dos recursos da Seguridade Social?
É cada vez mais nítido que essa reforma é completamente pautada e projetada em interesses.
A seguridade social é superavitária. Se somássemos seus últimos superávits desde 2000 até 2015, nós teríamos R$ 821 bilhões. Em 2019, nós já ultrapassamos o valor de R$ 1 trilhão. Não existe déficit.
Segundo dados da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), nos últimos 19 anos o Brasil teria quase 1 trilhão de reais sobrando no caixa. E onde está esse dinheiro? Sendo investido em desvinculações, gasto em projetos, pagando dívidas externas. Em muitos lugares, mas na seguridade social não!
Além desse superávit de quase R$ 1 trilhão, contando as sonegações, as desonerações, de 2010 até 2015, o Brasil tem sim um déficit. Não fosse a falta de pagamentos, algumas sonegações, a anistia de eventuais dívidas, o Brasil teria hoje quase R$ 5 trilhões nos cofres.
Por todos esses dados apresentados, é necessário entender como as pessoas podem acreditar na sustentabilidade dessa reforma? Digamos NÃO mais uma vez à reforma da Previdência! Ela é enganosa, artificial, não se sustenta em números e é projetada exclusivamente para atender interesses.

